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O que esperar do PIX a partir de agora?

por | nov 17, 2020 | opinião | 0 Comentários

Ontem iniciou a operação do Pix no Brasil e o mercado tem muita expectativa sobre o que vai acontecer a partir de agora.

No dia a dia já é imaginado que tenhamos diversas mudanças de comportamento como por exemplo o efeito no uso de outros meios de pagamento como boleto, cartões de débito, TED/DOC. Mas e quais são os outros efeitos que vamos notar?

Aumento na liquidez e velocidade de circulação do dinheiro

Com o funcionamento 24/7 e a liquidação em near realtime nós ganhamos a opção de não nos restringirmos mais as ofertas do banco que nos atende melhor na média, ou seja, aquele banco que atende melhor que te atende melhor no geral mas não em todos os produtos.

E por que? Por exemplo, PicPay resolveu pagar 210% do CDI para os valores depositados na conta deles, mas não oferece cartão de débito. Sem problemas, posso deixar o dinheiro lá, e se precisar usar débito em algum lugar ou mesmo quiser sacar posso transferir pra outra conta que ofereça o serviço.

Nubank cobra pelos saques, mas pelo menos oferece uma rentabilidade melhor que um banco como o Itaú, que por sua vez não cobra pelos saques. Sem problemas, quer sacar, manda o dinheiro do Nubank para o Itaú e faça seu saque.

Você pode usar o que for mais conveniente pra você sem precisar se preocupar com manter saldo em qualquer lugar específico.

Do ponto de vista macroeconômico, isso pode significar um aumento de produtividade ou de inflação, e por que isso? A teoria quantitativa da moeda tem uma equação famosa que aponta:

Quando levamos essa teoria para sua aplicação na inflação de longo prazo, temos uma versão modificada que utiliza as taxas de crescimento:

(1)   \begin{equation*} {oferta\:de\:moeda} \times {velocidade\:de\:circulação\:da\:moeda} = {nível\:de\:preços} \times {PIB\:Real} \end{equation*}

(2)   \begin{equation*} {\Delta\:oferta\:de\:moeda} \times {\Delta\:velocidade\:de\:circulação\:da\:moeda} = {\Delta\:inflação} \times {\Delta\:PIB\:Real} \end{equation*}

Considerando a taxa de crescimento da moeda constante transformamos para:

(3)   \begin{equation*} {\Delta\:inflação} = {\Delta\:oferta\:de\:moeda} - {\Delta\:PIB\:Real} \end{equation*}

Normalmente essa teoria trata a velocidade da moeda como constante, mas de fato, é algo que pode se alterar como em situações como esta que temos agora, o desenvolvimento do sistema financeiro impactando a circulação, isso pode tornar velocidade mais alta e estimular uma alteração no produto.

O FED de St. Louis, em um artigo analisando a velocidade da moeda nos EUA, questiona o por que a dramática mudança na base monetária após a crise subprime não impactou sua inflação. Como resposta, afirma que houve uma mudança na disposição do público para guardar dinheiro e isso desacelerou a circulação de moeda.

Em que situações essa disposição pode mudar de forma tão dramática?

  • Expectativas ruins após uma crise financeira
  • Queda muito drástica das taxas de juros que pode tornar melhor manter dinheiro liquido no lugar de títulos.

E o que devemos esperar do impacto no Brasil?

Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares (ou reais, como preferir).

Sua resposta vai depender do tamanho do impacto na velocidade de circulação, o impacto da pandemia no comportamento das pessoas em manter a posse de dinheiro e o impacto das taxas e juros reais negativas que estamos observando no momento.

A resposta de qual efeito sobressaiu só teremos mais a frente.

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